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Convulsão febril: o que você precisa saber sobre o assunto

A convulsão febril, embora para algumas pessoas pareça algo distante, não é um quadro raro de ser encontrado pelos pediatras nos consultórios e pronto-socorros. Trata-se de uma condição genética, e pode aparecer sempre que a criança tiver febre (mesmo que não seja em altas temperaturas).

Certa vez conversei com um pai que me disse que esse foi o momento mais difícil que ele passou com seu filho, que teve uma convulsão febril em seus braços. Por isso, considero de máxima importância as informações contidas nesse post, para fazer um alerta de que a situação pode acontecer, e que é preciso ter muita calma para lidar com ela.

Para esclarecer melhor o assunto, compartilho com vocês informações cedidas pelo pediatra e infectologista Marco Aurélio Safadi, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Vale a pena entender a condição (e saber exatamente o que deve, e o que não deve, ser feito com a criança durante e depois da crise).

Sintomas e diagnóstico

O quadro de convulsão febril pode aparecer entre os seis meses e os seis anos da criança, e ocorre normalmente durante as primeiras 24 horas em que o pequeno apresentar febre. Durante a crise, “a criança apresenta perda dos sentidos, fortes abalos dos braços e pernas, salivação excessiva, podendo ficar com os olhos vertidos para cima e com a boca roxa”, como elucida o Dr. Marco Aurélio.

O profissional ainda aponta que a duração da crise pode variar entre 10 a 15 minutos e que, depois que passar, a criança ficará sonolenta e voltará ao normal depois de algum tempo.

Diante do quadro, logo depois da crise, é fundamental que os pais encaminhem o pequeno ao pronto-socorro, onde, por meio de exames (os tradicionais, para apontar o motivo da febre) pode ser constatada convulsão febril. É importante ainda a ida a uma unidade de saúde, pois a convulsão pode ser sintoma de doenças graves, como meningite.

Durante a crise, mantenha a calma!

O Dr. Marco Aurélio Safadi explica que durante uma crise de epilepsia febril o que os pais devem fazer é, primeiro, tentar manter a calma. “O fundamental é proteger a criança para que não se machuque, colocando-a em uma superfície macia. Vire-a de lado para que  a saliva ou alguma secreção saia naturalmente pela boca, evitando que obstrua a sua respiração. Não coloque o dedo ou qualquer objeto na boca da criança. Não há necessidade de puxar a língua da criança, podendo inclusive  a pessoa ter seus dedos mordidos durante essa tentativa”, afirma o médico. “Tente medir a febre, saber se a crise ocorreu em vigência de febre é muito importante para o pediatra”.

Vale destacar que em mais da metade dos casos a convulsão febril ocorre somente uma vez. “Em até 70% dos casos, só ocorrerá uma vez. Quando ocorre de forma mais prolongada e em crianças menores de um ano, terá maior chance de se repetir. Nas crianças que já apresentaram convulsão febril, será importante identificar precocemente os episódios febris e medicá-los rapidamente”, destaca o Dr. Marco Aurélio.

Como tratar a convulsão febril?

Como explicado pelo pediatra, durante a crise o que os pais devem fazer é esperar passar. Feito isso, ir ao pronto-atendimento. Por lá, se a criança ainda estiver com febre, os médicos irão tratá-la com medicamentos para normalizar a temperatura do corpo e, caso os exames feitos apontem quadros específicos (especialmente se não for a primeira vez que o pequeno apresente a epilepsia febril), remédios anticonvulsivos podem ser prescritos também. O tratamento depende de cada caso, por isso a avaliação médica é fundamental.

Meu filho terá sequelas?

A consequência que a convulsão febril pode ocasionar é evoluir para um quadro de epilepsia no futuro, mas são casos raros. “[A convulsão febril] não causa qualquer atraso do desenvolvimento, prejuízo na inteligência ou sequela neurológica. Menos de 1% das crianças poderão evoluir com epilepsia no futuro, principalmente naqueles casos que apresentem histórico de convulsões na família”, explica o Dr. Marco Aurélio. “O pediatra saberá fazer as orientações adequadas, solicitando exames e/ou encaminhando ao neurologista quando necessário”.

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